Os miseráveis

Ouvi há pouco na rádio que um sem abrigo foi condenado a pagar 250 euros porque, há mais de um ano e meio, tentou levar sem pagar um polvo e um champô de uma loja do Pingo Doce. Os produtos foram recuperados pelo segurança, mas, mesmo assim, foi preciso julgar,  foi preciso punir “para dar o exemplo”!

Recordo os Miseráveis, de Vítor Hugo,  e Jean Valjean que cumpriu 19 anos de pena de trabalhos forçados por roubar um pão. Claro que os casos são completamente distintos… Um pão serve para matar a fome, um polvo e um champô não são produtos de primeira necessidade, na opinião do juiz a quem certamente aparecem na mesa e na casa de banho sem se preocupar muito com isso!

Deveria o sem abrigo ter antes passado pela secção do sabão azul e pela  padaria, escolhendo um pão do dia anterior para ter a clemencia deste Sr. Doutor juiz.

Mas é bom saber que a justiça no nosso país funciona, sentimos-nos mais seguros. Agora temos que esperar pelos recursos sucessivos, até que o processo prescreva…. Ou, neste caso…. talvez não!

Talvez este juiz  tão competente e sábio nestes casos seja um dos que noutros se declara incompetente… Talvez prefira julgar sem-abrigos a engravatados, sempre é mais fácil… menos burocracia e sobretudo, menos recursos!

É triste verificar que obras do séc. XIX continuam tão actuais… No fundo continuamos a ser uns miseráveis, cada un à sua maneira!

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3 pensamentos sobre “Os miseráveis

  1. Ah!! foi esta cadeia de supermercados?? A minha mãe tiha-me contado a notícia, mas nºao sabia qual era a cadeia. Acabaram de perder uma cliente regular. Já há uns anos uma cadeia de supermerdados alemã perdeu-me como cliente pelo mesmo motivo. Queriam punir o senhor… simples… vais limpar o parque de estacionamento ou as casas de banho até que perfaças a despesa com o acréscimo de tempo para compensar uma multa…

    Quanto o juiz… por um lado, como é que não multou a cadeia de supermercados por meter mais um processo destes no sistema (um ano e meio?!?!)? Por outro, eu gostaria de saber como ele se sentiria se fosse privado do seu banho qquente diário… a não ser que o senhor, além de parvalhão, seja porco.

    “E venha cá”?!?! Vai num lindo caminho, vai…

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