As máquinas!

Ter um blogue que ninguém lê tem as suas vantagens! Podemos ser polémicos, dizer o que nos apetece e, como ninguém lê, ninguém contesta, ninguém reclama!

Serve esta introdução para vir aqui falar mal de máquinas e de tecnologias em geral. É certo que uso uma para escrever e ainda bem, a minha caligrafia está a ficar tão pouco percetível que até eu tenho dificuldade em ler o que escrevo! Bom, mas falemos mal das outras, não desta que me é útil para… comunicar!

As de calcular, por exemplo, que os alunos levam para a escola cada vez mais cedo, e são as responsáveis por estes já não saberem o que é uma prova dos noves! E como era bom fazer uma prova dos noves, ainda se lembram?  Uma cruz num papel que criava quatro áreas separadas, depois…. bom não interessa! Se fosse só isso, estaríamos bem… Afinal ao contrário do “Ti Américo”, que tinha uma mercearia lá na aldeia e que as fazia com mestria, eu tenho vivido bem, sem elas (as provas), nos últimos 35 anos! No entanto, qualquer dia perdem também a capacidade de aplicar algoritmos, de repetir regras para obter resultados e fazer cálculos com números de 4, de 5, de 7 ou de 12 algarismos! Ah… como é bom passar uma tarde a fazer contas com os algoritmos! As saudades que tenho do da raiz quadrada e do tempo em que se aprendia no 8º ano!

E que dizer das tábuas de logaritmos? Permitem fazer complicadas multiplicações de forma simples, somando alguns números e consultando uma tabela! Parece milagre, quase tão simples como apertar meia dúzia de botões…É pena que tenham caído em desuso  e que agora, ao contrário de no meu tempo, já não venham impressas nas últimas páginas do manual adotado! Com tábuas de logaritmos sim é que era calcular! O professor até podia dizer qual a operação que resolveria o problema, poderia dizer quase tudo…. a dificuldade continuava e poucos conseguiam chegar ao resultado! Velhos tempos em que a matemática não era para qualquer um!

Tudo isso se perdeu! Se um professor disser hoje qual o cálculo que o aluno deve efetuar, e este tiver a ajuda de uma máquina de calcular, lá se foi o problema, acertam todos, basta carregar em meia dúzia de botões! Gostava de os ver, ao lado da malhadeira, a ajudar o “Ti Maximino” e o “Ti Manel Pedro” a calcular os quilos de grão que cada lavrador levava para casa, ao fim do dia, depois de tirar a maquia! A conta era sempre a mesma, mas a matemática continuava lá porque não havia folha de cálculo ou calculadora… Apenas papel, lápis e a prova dos nove para confirmar!

Hoje os alunos saem da escola e vão trabalhar para supermercados onde  máquinas fazem as contas por eles. Passam produtos à frente de máquinas e estas calculam o valor a pagar, sem sequer ser necessário uma golpada de manivela final, como na mercearia do “Ti Américo”, uns anos depois da prova dos nove…

E se um dia as máquinas falham? Se, de repente, nem há eletricidade na grande superfície? Quem será capaz de calcular a soma dos preços baseando-se  apenas em códigos de barras extremamente complicados? Para não falarmos dos sensores de segurança que deixariam de funcionar e por isso aumentariam o número de produtos levados sem passar pelas caixas, e pelas somas e provas dos noves… Pensando um pouco, talvez este seja um problema mais importante que o das somas….

Mas as máquinas não destroem apenas a capacidade de  calculo! Os computadores, cada vez mais potentes, GPS,  google earth fazem o mesmo com aquilo que sabemos de Geografia! Ainda há pouco tempo uma chefe de estado europeia não sabia localizar a capital do seu próprio país num mapa… de papel! Aposto que a encontraria num mapa virtual, aposto que saberia comprar um bilhete de avião para casa, a partir de qualquer lugar do mundo e, no entanto, não soube apontar o dedo para a capital do país que governa!

Também nas lides domésticas as máquinas fazem estragos! Quem sabe hoje tirar um bom café contando com  a ajuda de apenas um filtro de saco de pano  pendurado na cozinha? Quem sabe lavar roupa à mão? Ainda me lembro de ver a minha mãe utilizar a técnica infalível de por a roupa a corar ao sol, na relva ao lado do ribeiro…. Quem sabe como esfregar uma camisa hoje em dia?

Poderia continuar com os exemplos, metendo o bedelho em muitas mais áreas de que pouco ou nada sei! No entanto, no que respeita à matemática, e ao seu ensino, penso que as máquinas e as calculadoras podem fazer o que fazem em muitas outras áreas: libertar tempo para tarefas mais interessantes! Infelizmente, de vez em quando,  leio ou oiço opiniões de pessoas que, sobre este assunto,  sabem tanto como eu de lavagem de roupa (à mão!)

 

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10 pensamentos sobre “As máquinas!

  1. Pois eu leio e desta vez eu vou “contestar”… 😀 😀

    Eu “disconcordo” com o João.

    Isto porque… de todas as máquinas mencionadas, a que menos usei em toda a minha vida foi a máquina de calcular (só tive uma, que nunca soube usar como devia ser, logo era mesmo usada só para despachar serviço!). E… eu sou uma naba a matemática (se houvesse uma escola de matemática como há de línguas… eu pagava um curso. JURO!) No entanto, e apesar de ser semi-dependente de computadores e completamente dependente de máquinas de lavar, de achar muito mais prático tirar café na máquina (não gosto de cápsulas, prefiro aquelas que moem na hora) e deixar os pratos a lavar na máquina enquanto saio com os amigos… sei fazer tudo o que mencionou. Até o coradoiro da roupa em cima das silvas que nascem junto ao ribeiro!

    A única coisa de que nunca ouvi falar foi a tabela de logaritmos e a que dipenso muito bem, porque gosto de “viajar com papel”, é o GPS e o “email das férias”… a minha caligrafia ainda é legível, por isso prefiro enviar postais. E não há nada mais romântico que tentar descobrir o caminho num mapa de pernas para o ar (estou a brincar nesta parte, porque eu nunca percebi como é que uma pessoa não se apercebe que tem o mapa de pernas para o ar).

    A minha “constestação” não é ao que diz sobre as máquinas, mas ao que não diz sobre as pessoas… Se quisermos, podemos ser peritos na mais alta tecnologia, para quando temos pressa, e podemos aprender só por aprender… pode ser que sirva para um dia em que a corrente falhar.

    Por muito que digam que a máquina comanda o homem… eu ainda acho que o Homem é que manda na máquina (nem que seja desligando-a da ficha). 😀

    Agora sem contestações… 😀 gostei muito do seu texto! 😉

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  2. Olá Luísa,

    Também gostei muito do teu comentário, como sempre. Embora poucos os leitores deste blogue são bons e não me importo nada que discordem de mim, antes pelo contrário! As máquinas estão em todo o lado e ainda bem! Só é pena que o lucro que obtemos com a produtividade acrescida que proporcionam seja tão mal redistribuído… Se te tivessem deixado levar a máquina de calcular para as aulas de matemática talvez hoje a soubesses utilizar melhor, não achas?

    Um abraço
    João

    ps. por favor deixa o “seu” de lado!

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  3. Se calhar aprendia a usá-la bem, mas ia ficar na mesma uma naba na matemática… :s

    O meu problema foi mesmo nas bases… na escola primária não era brilhante, mas dava para me safar. Quando cheguei ao quinto ano é que coisa correu mesmo mal. Professoras com licença de maternidade substituídas por analfabetos. No sétimo ano mudei de escola, foi um choque enorme que afectou as minhas notas no geral. Mas pior foi ter um professor tarado e bêbedo a matemática (juro!). No oitavo tive uma professora genial. Consegui ter notas positivas em testes até de forma consecutiva!!!!!
    No nono ano tive uma anormal que só falava das viagens que fazia. Como adolescente que era, adorava não ter aulas. No 10. ano tive a mesma atrasada e aí já não achei tanta piada ao facto de ela não saber dar aulas. MAs eu era a única que refilava e não fui levada a sério. Resultado: 10 a métodos quantitativos (a dita matemática fácil!!!).

    Depois disso voltei a pegar em cálculos só quando comecei a trabalhar nas estufa (um intervalo de mais de 10 anos). Mas agora apercebi-me que, mesmo com a máquina a fazer as contas na loja (sem a manivela!), ao fim de dois meses consigo fazer os trocos de cabeça (mesmo sem precisar) com muito mais rapidez.
    No entanto há coisas que eu sei que devia ter na cabeça e … nada de Moda e medianda (sei a média e é com sorte). Raiz quadrada. A prova dos nove com a cruz (sei fazer a que é só um traço [espero que se perceba o que estou a dizer]). Equações. Nem me lembro o que são números primos…
    E tenho mesmo muita pena de não saber… se geografia nós me safo sozinha com mapas, história com enciclopédias… não consigo perceber nada de matemática se não me explicarem muito devagarinho…

    quanto ao “seu” a coisa é difícil!!! por acaso até uma coisa sobre a qual quero falar lá no estábulo pois aqui também se passa o mesmo… :s

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  4. Isto até parece de propósito… mas eu também sou Luisa e também sou naba a matemática. Assim sendo venho também aqui contrariar o autor do blogue que diz que ninguém o lê. Estar aqui a comentar contraria logo o primeiro parágrafo deste post. E depois… eu posso ser naba a matemática mas quem concebe essas máquinas de que aqui se fala não o é certamente. E se cada vez há mais tecnologia deve ser por causa de gente que até percebe de matemática. Estarei errada?
    🙂

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  5. Afinal, alguém vai lendo o que escreves… Usei (e uso) pouco máquinas de calcular e, infelizmente, percebo pouco de Matemática – lembro-me de ter sido, na primária, uma das que coleccionava mais verdes a aritmética e de ter gostado da matéria de 8.º ano, de resto, nada!-, mas socorro-me diariamente de outras máquinas para tornar menos penoso o trabalho de casa, do qual não sou fã. Lamento que não haja ferros que passem sozinhos. Embora seja uma maquino-dependente, ainda lavo certas peças de roupa à mão e, de vez em quando, estendo uns plásticos na varanda, sobre os quais coloco roupa branca a corar! Ao contrário da outra senhora, ainda consigo identificar no mapa de papel a capital do meu país.

    Um abraço de T-o-M! 🙂

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  6. Eu também tenho saudades, mais da juventude do que dos logaritmos, pois com eles e com os raparigos é que batalho, também, diariamente.
    Nunca soube fazer a proba do nove… E a regra de três: também se usa por aí abaixo?
    Saúdos desde a Galiza. Por aqui lemos, de quando em vez. Escrever já vá sendo outro cantar… Os tradutores automáticos ajudam. São máquinas ainda estúpidas, mas aprendem rápido.
    Licença pela ortografia,se faz favor.

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  7. Gracias por tu visita Xerardo.

    Compreendemos muito bem o teu português que é certamente bem melhor que o meu castelhano!

    Ainda bem que existem máquinas que nos ajudam a encurtar distâncias, a traduzir palavras a estabelecer diálogos!

    Volta sempre,
    João

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