Já era tarde

Já era tarde,
naquela noite de inverno,
quando o telefone tocou.

Estava frio,
lá fora
e dentro de casa também.

Era noite,
mais uma noite de inverno.

A televisão debitava notícias sobre audições parlamentares.
Sobre Salgados
ou Doces
que eram,
ou tinham sido,
ou apenas querido ser,
donos disto tudo.

Desligou a televisão,
instintivamente,
e atendeu.

Do outro lado uma voz familiar começou a falar.

Falaram do tempo que fazia,
do tempo que deveria fazer,
falaram do emprego que tinham,
falaram  das viagens que  fizeram,
das que nunca fariam
e daquelas com que ainda sonhavam.

No fim desligaram,
sem nada dizer e,
no entanto,
tinham dito tanta coisa.

Ele pensou
em como
um telefone,
por vezes,
pode aquecer uma sala
mais depressa
que um aquecedor
a óleo.

Ele pensou,
em como,
por vezes,
a televisão
é muito mais útil desligada!

Ele pensou que gostaria de saber
no que é que ela estaria a pensar
quando,
do outro lado,
também desligou!

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