Ao sol, nas escaleiras do palheiro

Em frente à minha casa, ou, se preferirem, à casa onde cresci, o meu pai mandou fazer uma casa onde guardava palha.

E, por ser aí que se guardava palha, a casa chamava-se “o palheiro”.

O palheiro tinha dois andares e, para subir do primeiro para o segundo, em frente, tinha umas escadas escaleiras.

Por servir para subir para o palheiro, e para o terraço que ficava em frente, chamávamos-lhe as escaleiras do palheiro!

Na primavera, por esta altura, o sol batia nas escaleiras do palheiro. Lembro-me da minha mãe, sentada nas escaleiras do palheiro, a apanhar sol enquanto fazia renda ou tricô, tirava feijões de dentro das vagens (esta última tarefa talvez não na primavera!), ou nada!

Lembro-me da minha mãe nestes  momentos de ócio de onde, tanta vez, se levantava dizendo que estava atrasada que tinha ficado ali tempo demais mas sempre com um sorriso e feliz por ter estado ao sol…

Lembro-me dela, e das escaleiras do palheiro, cada vez que me sento no sofá, sem fazer nada, a ver “nada” na televisão. O meu sofá são agora as minhas escaleiras do palheiro onde não faço tricô mas escrevo num blogue que ninguém lê…

Também eu tenho mais que fazer mas, como a minha mãe, dou valor ao tempo em que não fazemos nada! Orgulho-me muito de Ti, também por isso. Por teres sabido o que é o prazer de não fazer nada ou de, simplesmente, fazermos o que gostamos e de, mais do que me dizeres que temos que trabalhar muito, e sempre, por vezes, temos que nos sentar nas escaleiras do palheiro como se fosse isso a coisa mais importante do mundo!

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2 pensamentos sobre “Ao sol, nas escaleiras do palheiro

  1. Cada vez nos sentamos menos nas escadas (ou escaleiras) do palheiro e, sempre que o fazemos, sentimos remorso, como se não tivéssemos direito a usufruir desse “dolce far niente”.
    Beijinho, João, e parabéns pelos teus textos, sempre tão refrescantes.

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    1. Obrigado Deep 🙂 e tens razão eram as escaleiras e não as escadas… vou alterar no texto com a tua permissão! Aqui fica o meu muito obrigado, por vezes as memórias já nem são o que aconteceu mas sim o que nos recordamos do que aconteceu e… ainda bem!

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