Casacos

Vejo no Jornal da tarde  imagens de uma ação de campanha de um dos partidos que concorre às legislativas. O candidato fala aos jornalistas no seu fato de casaco azul. Reparo e, ao redor, há dezenas de homens encasacados, muitos deles engravatados também. Estamos em agosto e desconfio que a maioria esteja com calor.

Mais uma notícia. Agora de outro partido, desta vez um jantar. Reparo e lá estão todos de casaco vestidos. Aqui, num ambiente controlado, certamente haverá ar condicionado que coloca a temperatura nuns 21 ou 22 graus ou numa temperatura  confortável, mesmo para aqueles que insistem em não despir o casaco.

Penso na urgência de também eu comprar um casaco. Tenho um ou dois blusões de que gosto, mas, agora que penso nisso, nunca vi nenhum igual na televisão. Só casacos!

Estive há pouco tempo numa conferência num país europeu. O principal responsável pela organização, que apresentava todos os oradores e se dirigia muitas vezes aos cerca de 300 participantes, não andava de casaco. Reparei, no primeiro dia de congresso, que andava de chinelo de dedo. Foi de chinelo de dedo que andou sempre, muitas vezes deslocando-se de bicicleta entre os diferentes locais onde decorreu a conferência. No último dia, na sessão de encerramento, estava ainda de chinelos quando recebeu uma ovação por parte dos participantes que, de pé, o aplaudiram durante largos minutos em jeito de agradecimento pelo profissionalismo com que desempenhou o seu papel.

Não percebo nada de moda. Talvez sejam necessários os casacos, quase todos iguais, para que os homens pareçam também iguais. Afinal, podemos comprar um em saldo por pouco mais de 100 euros para nos sentirmos também nós iguais ou importantes apenas. Não sei se o casaco é garante de ovações, por parte dos nossos pares, mas são elegantes e dão-nos o sentimento de pertença à manada. Haverá certamente quem consiga distinguir os casacos mais do que pela cor. São todos casacos, mas desconfio que uns sejam Armani, por exemplo, e outros não.

Penso que o que vestimos também nos define, mas gostaria de pensar também que somos mais que aquilo que vestimos…

Agora desculpem, tenho que ir comprar um casaco!

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Um pensamento sobre “Casacos

  1. Este texto lembrou-me um bimbo que eu cinheci aqui na Suíça há já uns anos. Falava mal… tinha umas teorias assustadoras (entre elas: devia haver uma 3.a guerra mundial, para morrer gente para haver mais trabalho para as pessoas!!!!!!!!!!!!)… mas defendia que se devia usar sempre gravata (sendo coerente, usa-a sempre, tirando no trabalho, simplesmente é proibida por questões de segurança): ‘um gajo até parece um doutro’, justificava ele.
    O chinelo de dedo, numa conferência, confesso, para mim é demais. Mas… se se perdesse menos tempo a combinar gravata com casacos… takvez se chegasse a algum lado…

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