A marca do gin.

Gostava de não voltar ao tema. Gostava que os milagres acontecessem. Gostava que a tragédia dos migrantes refugiados acabasse.

Mas surgiram nas redes sociais fotos de crianças mortas a boiar na água e uma foto de uma mãe que tenta, a todo o custo, manter um bebé à tona.

Entretanto, às notícias de naufrágios juntam-se agora as de camiões com migrantes sufocados no seu interior. Já nem são notícias de abertura dos telejornais. Já não contam muitos pormenores, limitam-se a indicar números, como se estas notícias fizessem parte do alinhamento do noticiário.

E tudo isto, como disse uma amiga no facebook (Misé Pê), enquanto por cá estamos preocupados “com as boquinhas para as selfies e a marca do gin.

Não sei bem que dizer, a não ser que tenho vergonha. Tenho vergonha de olhar para as fotos partilhadas, tenho nojo por viver num mundo onde é possível existirem imagens destas. Tenho nojo de uma sociedade virada para o seu umbigo, adormecida, que pode acordar tarde demais.

Os migrantes, como lhe chamam, estão desesperados. Só o desespero justifica os riscos a que se expõem enquanto nós continuamos a fazer boquinhas para as selfies e escolhemos a marca do gin!

Foto: AFP (publicada aqui)

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