O texto que se segue não é meu. É da Verinha, ou Vera Martins se preferirem…
Para mim será Verinha, porque é a filha do Jaime e o Jaime era o amigo com quem passeava ao domingo, num mini preto que ele tinha, quando ambos éramos muito mais novos que a Verinha é hoje.
Depois o Jaime casou com a Lúcia, que veio viver para a nossa aldeia e se tornou minha amiga também e, sobretudo, amiga da minha mãe porque eu já não estava muito por lá nessa altura. Lembro-me de cozerem pão juntas e de sentir entre elas uma grande amizade e até uma certa cumplicidade.
A Verinha é a filha do Jaime e da Lúcia e, neste texto, mostra que herdou dos pais um coração enorme e que guardou dos ares da serra a saudade de todos os que nascem por lá. Eu, que também saí da nossa terra, sei o que é deixar um dia para trás aqueles de que gostamos.
Gostei muito deste texto e com a sua autorização reproduzo-o aqui, onde ninguém o lê! Compreendi-te quando o li, porque sei que não é fácil deixar ninguém para tás e muito menos a Lúcia e o Jaime.
Muito obrigado Verinha e, quando nos encontrarmos na nossa terrinha, um dia, prometo um café em troca do belo texto.
Continua a escrever, porque escreves muito bem!
********************
“27/01/2007. Seis horas da manhã, o despertador toca…era uma manhã de Sábado muito fria, céu coberto….o normal para um dia de Janeiro. Caiu a ficha, mas a decisão já estava tomada!!! Deixar o meu país…a minha terra….como vou eu viver sem a minha mãe, o meu pai, a terra que me viu nascer, como me vou eu adaptar a uma outra língua, outra cultura?
O momento em que me despedi da minha mãe foi o mais difícil da minha vida, nunca vou esquecer o meu coração doía só de pensar que não saberia quando a voltaria a ver, a abraçar. Comigo levava, um coração cheio de sonhos, talvez devido à inocência da idade na altura ou não, o Luís, e o mais fiel amigo que alguma vez tive, o meu cão o KIKO. Aliás se não fosse ele não teria aguentado.
Próxima paragem cerca de 1000 quilometros depois e a cada quilometro o coração ia ficando cada vez mais apertado e mais pequeno. Chorei muito mas muito, como vou eu viver sem o cheiro, o amor da minha mãe perguntei eu tantas e tantas vezes.
Com o tempo lá nos habituamos à ausência das pessoas que amamos, a falta do cheiro da nossa terra, da nossa comida. E com essas ausências já passaram 9 anos desde esse dia. Não fosse o amor do meu cão não teria aguentado! Se fosse hoje se o faria? Talvez sim, talvez não. Não sou mulher para arrependimentos, talvez o fizesse diferente.
Valeu a pena nem que seja para ter aprendido a dar valor ao que temos. Quanto aos sonhos uns realizados, outros a trabalhar para isso…quanto à esperança de voltar à nossa terra, essa continua cá…quem sabe um dia….porque eu amo o meu PORTUGAL, e não há cantinho à beira mar plantado como esse… Obrigada KIKO onde quer que estejas, por todas as vezes que “lembeste” as minhas lágrimas.”
Vera Martins

Nem toda a coragem para alguns é sinonimo de luta… procurar uma vida melhor por nao termos opçao é uma escolha… por vezes acertiva. No calor dos dias refletimos e chegando a conclusoes.. um dia partimos… deixamos para traz o conforto e algum comodismo.. assim me vi.. tu sabes.. mas hoje falamos de ti.. minha piolha… a quem vi crescer.. A humildade transborda nos nossos coraçoes saudosos… Minha guerreira. Ter tua mae como minha tia e um pai sendo meu padrinho é um privilégio para mim. E até posso ser um exemplo para ti.. mas tu és o meu orgulho. Ti amo priminha.
Cristina Martins.
GostarGostar
Bem vinda por aqui Cristina, beijinho e volta sempre!
GostarGostar