Havia na minha aldeia, como em tantas outras, um Café Central! Nem toda a gente da aldeia gostava do Café Central. Muitos nunca entraram, em todas as suas vidas, no Café Central.
No Café Central discutia-se um pouco de tudo. Política, agricultura, cinema, literatura, música, pintura, fotografia e também se contavam anedotas! O nível da conversa dependia da mesa que se escolhia e, sobretudo, de quem se sentava ao nosso lado. Por essa razão, era muito importante escolher bem as companhias, no Café Central!
Havia mesas em que se discutia apenas a cor do vestido da filha da Tia Joaquina, que tinha ficado grávida, muito provavelmente, sem ser por culpa da cor do vestido.
De vez em quando, alguém levantava a voz no Café Central, ou dizia em voz alta o que deveria apenas pensar. Muitas vezes se diziam disparates, no café Central!
De vez em quando, alguém mostrava, no café Central, o álbum de fotos das últimas férias ou comentava o que tinha comido no dia anterior. Mas, de vez em quando, alguém punha música, no Café Central, e descobríamos sons que desconhecíamos até então dando graças a Deus por termos estado no Café Central nesse dia!
Claro que havia os viciados do Café Central! Os que deixavam as famílias para ocupar a sua mesa dias e noites a fio. Dizem até que houve alguns divórcios por culpa do Café Central! Mas houve também certamente muitos encontros e reencontros no café Central. Muitos descobriram afinidades no Café Central e alguns desses vivem hoje juntos, longe do Café Central!
Digam o que disserem recordo com saudade o Café Central que não era bom, nem era mau… Era apenas o Café Central, onde até se aprendiam coisas novas…. se nos sentássemos na mesa certa!
(*) Fonte da imagem: https://ninguemle2.files.wordpress.com/2016/02/12520-psyber-cafe_facebook3.jpg

Na minha cidade também havia um Café Central.
Agora é uma Pizza Hut.
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