Publicidade má!

Por vezes encontro publicidade da boa e falo dela ou, simplesmente, divulgo-a por aqui. Essa publicidade da boa faz-me rir, faz-me ver a partir de um ângulo que não tinha reparado, no fundo, para  mim, é genial!

Hoje, no entanto, quero falar da publicidade má porque, na minha opinião, também existe.

Vinha de carro para o emprego e oiço na rádio um anúncio à Disneyland Paris onde um pai leva o filho à escola e este pede para o deixar longe da escola,  longe dos seus amigos. Uma voz sugere que os filhos crescem depressa demais e a mensagem que fica (ou pelo menos a mim) é que mais cedo ou mais tarde sentem vergonha dos pais.

Haverá certamente estudos que mostrem que é assim. Que as crianças passam pela fase da admiração e que depois entram na fase da vergonha dos pais… Eu prefiro pensar que é apenas mais uma estratégia para vender viagens ao mundo da fantasia!

Não concebo que um filho tenha vergonha de um pai! Mais facilmente aceitaria que um pai se envergonhasse de um filho e que,  em última análise,  se envergonhasse de si mesmo! Um pai pode influenciar o futuro de um filho, a sua personalidade, o seu comportamento. Um dos seus deveres é educar e se o filho se envergonhar um dia dele, muito provavelmente, significará apenas que falhou na função de educar. Já um filho raramente tem por função educar um pai. Habitua-se a ver nele um adulto que está ali para satisfazer as suas necessidades, os seus mais pequenos desejos.

Porque haveria um filho de se envergonhar de um pai?

Nos últimos anos tem havido em Portugal um maior número de licenciados, mestres e doutores. É por isso de admitir que em muitas famílias em determinado momento os filhos saibam muito mais que os pais. Na minha opinião (e já passei por isso) é apenas mais um motivo de orgulho para os pais! É gratificante sentir que a próxima geração estará mais apta, mais preparada e que saberá mais que a nossa. É gratificante saber que os nossos filhos estão entre os melhores preparados dessa geração ou, pelo menso, que são felizes.

Mas qualquer filho que se preze não deve esquecer que conseguiu chegar onde chegou, na grande maioria das vezes, porque teve ajuda e suporte familiar. Alguns conseguirão sozinhos, mas poucos!

O meu pai não sabia ler. Era pastor,  na serra de Bornes. Nunca senti vergonha de ser filho dele, apenas orgulho e admiração. Foi o melhor pastor que conheci e foi graças ao seu trabalho e esforço que hoje sou o quem sou.

Não compreendo como se pode explorar o tema da vergonha de um filho pelo pai para vender viagens. Acredito que devemos aproveitar todos os momentos do seu crescimento, mas vergonha tenho apenas de alguma publicidade que oiço na rádio!

 

ps. Sobre o tema posso ainda aconselhar um filme I Am Sam – A Força do Amor, com uma interpretação brilhante de  Sean Penn. Imagem, do filme, retirada de http://www.youngactressreviews.org/reviews/i_am_sam/shot04.jpg

 

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3 pensamentos sobre “Publicidade má!

  1. Ui… Há um bilião de motivos para um filho se envergonhar de um pai… e nada tem a ver com ser analfabeto (nã é de envergonhar), ser pastor (ainda menos) ou ser como o Sam (e neste ecxmplo da ficção ainda menos!)…

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  2. Eu não vi a publicidade em questão, mas já vi algumas do género. Há uma fase na (pré-) adolescência em que os miúdos têm vergonha dos pais. Não são todos, não são com a mesma intensidade, por vezes os pais nem se apercebem. Eu tinha vergonha da minha mãe (sei lá porquê), mas adorava exibir o meu pai… faz parte, sim, pode ser exacerbadada pela família ou ignorada. Honestemante defendo que se ignore. Se os pais têm que levar os miúdos à escola, levam, quer eles queiram, quer nãoo… se não se empolar o assunto ele desaparece…
    Na publicidade, usar a vergonha pode ser engraçado, depende da forma que é retratada (como disse, não conheço a publicidade em questão). Acho mais assustador e preocupante haver publicidades em que um miúdo tem por único um amigo mutante e um tablet ou a publicidade em que duas adolescentes já grandota andam sempre à guerra e o pai as cala com um telemóvel e a mãe ainda diz “boa, pai”.

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