O dia em que descobrimos que uma mochila é pequena demais…

No passado dia 6 de abril, milhares de crianças foram convidadas a pensar no que levariam numa mochila se fossem elas refugiadas. Mesmo que ninguém leia, gostava de parabenizar publicamente quem teve a ideia, quem a apoiou, as centenas de escolas que aderiram,  os milhares de professores  e alunos que a colocaram em prática!

Não é fácil colocar-nos na “pele” dos outros. É muito mais fácil criticar, apontar defeitos. E se fossemos nós?  O que levaríamos, o que faríamos?

Será que todo o nosso mundo cabe numa mochila?

Eu levaria: um caderno, um lápis, roupa, telemóvel, carregador, fotos daqueles de quem gosto uma vez que eles já não cabem na mochila… E levaria esperança, esperança  de encontrar olhares amigos nos lugares para onde tivesse que fugir.

Muitas destas pessoas deixam para trás familiares. Deixam tudo o que têm porque, como todos pudemos comprovar, uma mochila é pequena demais para guardar toda uma vida!

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2 pensamentos sobre “O dia em que descobrimos que uma mochila é pequena demais…

  1. Bom encontrar aqui uma opinião que não embarca no bota abaixo, muitas vezes sem saber explicar a razão.
    Ontem publiquei a minha experiência, que resulta de um exercício com alguns anos, portanto, talvez algo atípica. Ei-la:

    Em fuga

    Durante o almoço de ontem, a televisão do restaurante debitava informação sobre um trabalho – reportagem, será? – que iria mostrar o que algumas pessoas levariam numa mochila, caso fossem confrontadas com a situação de refugiados de guerra. Apresentaram dois ou três excertos de entrevistas.
    Não sei exactamente do que se trata e ainda não fui averiguar porque não condiciona o que pretendo dizer sobre o assunto.

    Comentários nas mesas contíguas aludiam a considerações sobre o essencial, nas quais ouvi críticas acerca do livro ou de fotos que se pretendia levar, entre outros pertences, argumentando que não se tratava de bens essenciais.

    Tal levou-me a pensar mais no que é essencial e no que é dispensável, e se existem separadores que valham assim tanto a pena fixar.

    Digo que me levou a pensar mais porque, devido a circunstâncias pessoais, que há uns anos, junto à porta de entrada da minha casa, tenho uma pequena mochila preparada.

    Nesse saco existe o seguinte:

    – medicamentos que tomo diariamente (de vez em quando verifico a validade)
    – uma garrafa de água
    – três cadernos
    – cinco esferográficas de tinta preta
    – uma lista em papel com o nome das minhas pessoas e respectivos contactos (para o caso de não poder aceder ao que está nos dispositivos electrónicos)
    – uma folha com a indicação para juntar telemóvel, portátil pequenino e respectivos carregadores (se tiver tempo). Fica a nota que estas máquinas não têm fotos armazenadas.

    Se formos pela definição do indispensável como algo imprescindível para viver, provavelmente no meu saco não está lá nada que se encaixe nessa categoria.

    Mesmo no que respeita aos medicamentos, não é expectável que a suspensão da toma durante alguns dias me leve à morte a muito curto prazo. E água é previsível que não se demore muito para arranjar.
    Já me interrogaram sobre os motivos de querer levar cadernos e canetas, uma vez que não terei possibilidades de enviar correspondência. Pois, não é para isso. É para escrever sobre o que me rodeia e o que sinto. É um escrever de necessidade que não tem destinatário definido.

    Pelo que disse, e que até não é um exercício novo para mim, não encontro motivos que justifiquem criticas e brincadeiras frias sobre a importância do material seleccionado.
    Parece-me que as razões da escolha são mais de ordem emocional e relacionadas com a forma como presumimos que ocuparíamos os tempos vazios. se pudéssemos, e tendo em conta os condicionalismos.

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  2. Obrigado pelo comentário Isabel, gostei do seu ponto de vista :-). Mesmo dizendo mal fala-se reflete-se sobre a iniciativa… Pensamos sobre o assunto e isso só pode ser bom, mesmo para os que dizem mal!

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