O erro de Simone

Simone disse que não foi ela que disse. Não haveria problema nenhum nisso, se não tivesse passado os últimos tempos fingindo que era ela quem  dizia.

As redes sociais vieram trazer ao comum dos mortais a ilusão de que está mais próximo dos famosos. Na verdade são ferramentas tão poderosas que o permitem mas se, e só se, os famosos assim o quiserem.

Quando os famosos perceberam que o comum dos mortais se queria sentir próximo deles, contrataram pessoal para manter esses espaços por eles.

Já percebi isso há algum tempo, e não tenho nada contra isso! Sigo, por exemplo, a página de Charles Aznavour sem a ilusão de ser ele quem por lá escreve. Sigo-a apesar de tudo porque gosto de estar informado sobre um dos meus artistas favoritos e numa das últimas entradas leio: “Charles Aznavour en visite au centre TUMO à Yerevan”… É muito diferente do que leio na página de Simone de Oliveira

“Partilho convosco algumas fotografias da homenagem que me fizeram, na passada quarta-feira, no espectáculo “TOMA LÁ QU´É P´RÁPRENDERES” “

Na página de Aznavour não escrevem na primeira pessoa, fingindo ser ele. Por isso o erro de Simone não foi confiar em alguém que escrevesse por si nas redes sociais vindo depois dizer que não foi ela que escreveu… O  erro de Simone, e de muitos artistas e políticos, é quererem o Sol na eira e a chuva no nabal.

Se não gostam de redes sociais, se não têm tempo para isso, podem até optar por não ter conta nenhuma, pelo menos oficial, como faz Ricardo Araújo Pereira. Ou podem ter uma página onde outros escrevem, com o seu consentimento, como faz Aznavour… Não podem é fingir que escrevem, de tão habituados que estão a fingir que tomam Calcitrine, para depois virem dizer que não escreveram quando alguém, por eles, escrever alguma coisa de que não gostam! Nem podem, simplesmente, descartar a responsabilidade do que, por eles, é publicado nesses espaços oficiais, como se as redes sociais fossem algo onde não querem sujar os dedos…

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3 pensamentos sobre “O erro de Simone

  1. João, pois, não conhecia estes episódios, tanto o da Ana Drago como o da Simone. E gostei de saber porque tenho pensado e ‘discutido’ bastante sobre redes sociais, nomeadamente a utilização do FB.
    E não me revejo em nada disto. Ou seja, não me interessa, nem sinto qualquer apelo, em ter a ilusão de que estou próxima de figuras públicas ou de outras que não conheço nem sei nada.
    Não gosto deste uso que se dá às redes. A ilusão de proximidade e de amizade. Mas isto não será uma deturpação do que é uma rede social? No exemplo da Simone não se tratará da cusquice?
    Os perfis pessoais não serão mais redes de amigos e conhecidos do que redes sociais? Afinal queremos trocar ideias com pessoas que pensam de maneira semelhante à nossa, não será?
    O querer estar sempre conectado não funcionará como uma acentuação do vazio, em vez do seu preenchimento, dado que se vai ganhando a percepção do substituto?
    Não me agrada o controle que se exerce ou julga exercer por estas vias que, por vezes, dá azo a jogos pouco claros.
    (Ainda) Tenho FB e Google+, com uma utilização cada vez mais restrita. Algumas páginas públicas acrescentam-me informação e o chat dá para comunicar algo breve, mais com pessoas não acessíveis através de outro meio.

    Concordo com o entendimento, em especial com o referido no último parágrafo.

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  2. Completamente de acordo!
    Gosto das redes sociais, (há mais de 20 anos que ando por aqui) porque me dá a oportunidade de, exercitando o cérebro, vaguear por mundos que seriam impensáveis de seguir se assim não fosse.
    Há muito que diga que não gosta das redes sociais por isto e aquilo, mas como sabem o que se lá passa se dizem que não têm conta? É quase a mesma coisa daquelas pessoas que dizem que não vêem telenovelas ou aqueles programas (horríveis) de suposto entretenimento e que depois sabem tudo o que se lá passa bem como o nome de todos os intervenientes.
    “Vende-se” muito coisa má dando a ilusão de que é boa.
    Obrigada por este texto. Haja alguém que esteja em sintonia com as minhas ideias.
    Bom dia!

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  3. Completamente de acordo!
    Gosto das redes sociais, (há mais de 20 anos que ando por aqui) porque me dá a oportunidade de, exercitando o cérebro, vaguear por mundos que seriam impensáveis de seguir se assim não fosse.
    Há muito que diga que não gosta das redes sociais por isto e aquilo, mas como sabem o que se lá passa se dizem que não têm conta? É quase a mesma coisa daquelas pessoas que dizem que não vêem telenovelas ou aqueles programas (horríveis) de suposto entretenimento e que depois sabem tudo o que se lá passa bem como o nome de todos os intervenientes.
    “Vende-se” muito coisa má dando a ilusão de que é boa.
    Obrigada por este texto. Haja alguém que esteja em sintonia com as minhas ideias.
    Bom dia!

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