Em 1918, uma senhora da alta sociedade lisboeta, casada, com um filho de 26 anos, apaixona-se pelo seu motorista. Parece o argumento de um filme, e é, mas já lá vamos!
Chamava-se Maria Adelaide Coelho da Cunha e era filha de um dos fundadores do jornal Diário de Notícias e estava casada com Alfredo da Cunha que viria a ser dono do jornal.
Aos 48 anos apaixonou-se por Manuel Cardoso Claro, seu motorista, 20 anos mais novo que ela. Um dia fugiram do palácio em que viviam e foram viver para Santa Comba Dão, deixando para trás um casamento de 28 anos e, pior ainda, um marido poderoso traído!
Demoraram apenas 11 dias a descobrir o esconderijo do casal. Ela foi internada no Hospital Conde Ferreira, no Porto. Ele foi preso. Atestaram a sua loucura Júlio de Matos, o Professor Sobral Cid e o Professor Egas Moniz, futuro prémio Nobel. E como não poderia estar doida, se deixava tudo, em Portugal, em 1918, para ir viver uma história de amor? Nunca o admitiria, no entanto, e escreveu um livro de título «Doida não!» em resposta ao do marido «Infelizmente louca!» .
Esteve internada alguns meses e o amante preso durante 4 anos, sem que o acusassem de nada. Renunciou a toda a sua riqueza e viveu, sem nunca se casar, com o homem que amava, no Porto, que passou a ser taxista para se sustentarem.
Sobre esta história de amor já se fez um filme, que ainda não vi, realizado por Monique Rutler, em 1992: “Solo de Violino” e já se escreveu um livro, que ainda não li, “Doida não e não! Maria Adelaide Coelho da Cunha” de Manuela Gonzaga.
Doida não, também eu acredito!
Ousou apenas amar, contra tudo e contra todos. Amou, pagando um alto preço por isso, mas ganhou certamente outras coisas e todo o meu respeito, porque penso que devemos respeitar quem ousa amar desata maneira!
Fontes:
http://www.saude-mental.net/pdf/vol11_rev3_leituras.pdf
http://leiturasdasmarias.blogspot.pt/2009/03/doida-nao-e-nao-maria-adelaide-coelho.html