Um quarto

Um quarto do seu quarto nem parecia um quarto. E não era, era apenas um quarto do quarto que, todo ele, nem um quarto da casa era.

Bom, era um quarto, na verdade, porque tinha cama e nele dormia gente, mas o quarto não ocupava um quarto da área total da casa e era um quarto desse quarto que estava cheio de livros memórias e recordações.

Dormia nos três quartos que sobravam do quarto. E comia na cozinha que não seria mais que outro quarto da casa. Transformara também a sala em quarto, para acolher visitas que passavam pela cidade e precisavam de um quarto. E era esse quarto, que fora sala, que agora ocupava bem mais que um quarto da área da casa e também muito mais que um quarto do seu tempo.

Fechava os olhos e revia o quarto da pensão barata, à beira mar, onde, naquele verão, se encontrava com ela.  Por vezes, à noite, sem sono, rezava um terço no quarto do seu quarto, onde ainda dormia,  na esperança de arranjar um meio de lhe dizer que sentia a sua falta, naquele quarto que, sem ela, nunca chegaria a ser uma unidade de nada!

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