Educação 4.0

Fala-se hoje da Industria 4.0. Uma industria cada vez mais robotizada, onde máquinas produzirão os bens que o Homem precisa com cada vez menos intervenção do próprio Homem. Estas máquinas serão capazes de aprender, de se adaptar, de pensar, de agir…

Claro que o Homem terá que construir e programar todos estes robôs. Bom, talvez apenas os primeiros, depois serão, criados robôs capazes de criar e programar outros robôs. Podemos pensar que isso acontecerá num futuro distante… Eu penso que não, não falta assim tanto.

Os carros capazes de conduzirem sem intervenção humana são já uma realidade. Já existe o Mercedes que, em auto-estrada, permite não só que o condutor largue os pedais, como fazem já a maioria dos automóveis que conduzimos, mas também o volante. Um dia, não muito distante, bastará entrar no carro e indicar o lugar para onde queremos ir, como fazemos hoje ao programar o GPS.

Poderia argumentar que para preparar todos os engenheiros que fabricam estas máquinas precisaremos de uma Escola 4.0 onde se aprenda a programar, ou seja a linguagem das máquinas, como dizem. Na minha opinião, será necessário conhecer alguns rudimentos de programação e essa aprendizagem terá que ser feita logo muito cedo, ainda no ensino básico. No entanto, embora nos digam que precisamos de uns quantos milhares para trabalhar com estas tecnologia, serão sempre “apenas” alguns milhares, penso que a escola 4.0 deve começar a preocupar-se com todos os outros, todos os que não serão programadores nem trabalharão diretamente com esta tecnologia!

Quando os carros nos levarem autonomamente de A para B deixaremos de precisar de motoristas. Já pensou nisso? Não haverá necessidade de taxistas, camionistas, etc… A mesma coisa se está a passar já hoje com os bancários – há quanto tempo não vai ao balcão do seu banco – com os portageiros – há quanto tempo não para numa portagem e com  tantas outras profissões que tendem a desaparecer ou a ficar reduzidas a um número muito reduzidos de pessoas. Um dia desaparecerão os carteiros, os entregadores de pizas, os empregados de balcão.

Depois de habituar o cliente a levar o seu tabuleiro e arrumá-lo depois da refeição, no McDonal’s é agora o cliente que faz o seu pedido, num ecrã, que depois vai buscar ao balcão. Depois de habituar o cliente a abastecer o seu automóvel, agora, em muitos pontos de abastecimento, é também o cliente que trata autonomamente do pagamento com o cartão de débito – ou com a Via Verde –  sem intervenção de nenhum empregado.

A escola 4.0 terá que nos preparar para interagir com estas máquinas, mais do que nos preparar para as criar ou programar. Para as programar bastarão alguns milhares.

Mas, mais do que trabalhar com tecnologias a Escola 4.0 deveria estar preocupada com as artes, com a criatividade, com a filosofia. Os milhões de pessoas que não terão emprego, nas áreas tradicionais, que não programarão máquinas, terão sobretudo que saber pensar, estar despertos para as artes, ser capazes de criar, no fundo de serem artistas.

Penso que o ensino da programação será necessário, mas sobretudo o ensino da filosofia, do teatro, da música, da literatura, do cinema, da pintura, da fotografia…. das artes!

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2 pensamentos sobre “Educação 4.0

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