O Carriço

Compramos o Carriço era ele um potro, e eu uma criança. De certo modo crescemos juntos.

O Carriço não era um cavalo, não tinha pedigree, era apenas um macho, um macho égueiro, fruto de um cruzamento entre um burro e uma égua!

Era todo preto, como o cavalo do Zorro, e era muito valente! Manso quanto baste, nunca me fez mal enquanto crescíamos juntos. Mas não era um bicho de estimação, era um animal de trabalho.

Tinha uma carroça verde. Mal tive altura suficiente aprendi a por a albarda ao carriço, a atrelar o carriço à carroça verde. Era com o carriço que eu e o meu pai lavrávamos a terra, acarretávamos a lenha para o inverno, plantávamos batatas, transportávamos as batatas do campo para casa!

Muito antes de conduzir qualquer carro, conduzi o carriço e a sua carroça. Lembro que vários anos da minha infância e juventude, uns dias antes do Natal,  atrelava o Carriço, colocava a machada na carroça e partia em busca de um ramo de pinheiro que servisse de árvore de Natal.

O Carriço era valente! Voltávamos sempre a galope, com um ramo de pinheiro na carroça e eu, de pé, triunfante que nem Ben-Hur conduzindo a sua quadra.

Já passaram uns 30 anos desde a última vez que isso aconteceu…

O Carriço foi um bom amigo e um bom animal e eu fui uma criança feliz. Para se ser feliz não é preciso muito, sei-o hoje, com um macho e uma carroça verde podemos sonhar que somos o Zorro ou até Ben-Hur!

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3 pensamentos sobre “O Carriço

  1. Ah, as memórias de infância; essa infância descuidada e feliz, onde não precisávamos de muito para sonhar sermos os heróis dos livros que líamos.
    Eu lia os livros de aventuras do Cavaleiro Andante e, quando ia para o Monte da minha tia Ana, nas férias grandes, sentava-me à sombra das árvores ou corria pela planície salpicada do vermelho das papoilas e do amarelo dos malmequeres, fazia brincos de cerejas maduras, sonhando ser a amada do belo Príncipe.
    A minha tia tinha uma burrinha que a trazia à Vila, sentava-se de lado, qual Lady Godiva ( vestida) e quando eu lá estava, o meu tio atrelava-a a uma pequena carroça.
    Que feliz, que feliz eu fui…também. 🙂

    Feliz Natal, João. Tudo de bom para si e família.
    Um abraço.

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