E se toda a gente tivesse dinheiro para viver dignamente?

Muitas vezes trago para aqui o tema das tecnologias e das mudanças sociais que estas implicam. Já há previsões que apontam para que já em 2030 muitos carros não precisem de condutor. Teremos que nos adaptar a ser conduzidos por máquinas. Os acidentes diminuirão, dizem-nos e eu acredito! Ficarão sem emprego os taxistas, os motoristas e muitas outras profissões se lhes seguirão. O Homem terá que executar cada vez menos tarefas rotineiras que as máquinas farão melhor e mais barato.

A Finlândia  testa este ano Rendimento Básico Incondicional, que permitirá aos Finlandeses desempregados receber 560 euros, livres de impostos, sem nenhuma outra contrapartida nem condição.  Basta passar os olhos pelos comentários a esta ou a outras notícias como esta para perceber que nem toda a gente concorda com ela.

Um dos argumentos mais vezes apontados é o da preguiça, se todo o cidadão tiver um mínimo para viver dignamente ninguém quererá trabalhar. Pode ser que para alguns até seja verdade, mas penso que o seja sobretudo para os empregos que as máquinas vão substituir no futuro. A maioria dos empregados, com empregos criativos e não rotineiros, gostam dos seus empregos e, se forem devidamente recompensados pelo trabalho que fazem, continuariam a trabalhar não  ficando pelo rendimento básico.

O grande desafio está na Escola. Temos que educar para que cada um encontre o que gosta de fazer e não preparar os jovens para fazer tarefas rotineiras, seguindo o modelo da revolução industrial que até nas máquinas já foi ultrapassado. Temos que preparar alunos que sejam críticos, que pensem, que sejam criativos. Penso que aqui teremos que entrar com a diferenciação e não com a uniformização. Mais do que isto ou aquilo para todos a escola deveria dar oportunidades de cada aluno  escolher o que quer e gosta de fazer. Parece utópico mas uma solução poderia passar por  haver muitos mais clubes. Clubes de programação, de robótica mas também de teatro, de canto, de pintura, de escrita criativa, de cinema, etc., etc….

Precisaremos sempre de engenheiros, de matemáticos, de físicos que criem as máquinas, que façam as tarefas rotineiras  que o Homem fazia. Mas precisaremos também, e sobretudo, de professores, de escritores, de dramaturgos, de atores, de pintores, de poetas, de fotógrafos de…. artistas! Todos os que souberem criar terão empregos onde trabalharão por gosto e onde ganharão muito mais que Rendimento Básico.

Há certamente empregos que cairão em desuso, graças a esse tal rendimento. Um deles penso que seja o de ladrão. Claro que a grande ladroagem de colarinho branco continuará, mas o pequeno ladrão que rouba para comer deixará de precisar de o fazer. Isso para a sociedade trará grandes benefícios diminuindo o número de cadeias e de policias necessários o que pode ajudar a pagar o tal rendimento!

Uma sociedade onde todos os cidadãos tivessem o mínimo para viver dignamente seria certamente muito melhor que aquela em que vivemos hoje onde, cada vez mais, até os trabalhadores têm dificuldade em viver com aquilo que lhes pagam.

As máquinas farão grande parte do trabalho que hoje é feito pelo Homem, penso que devemos ter muito cuidado e pensar muito bem sobre o que que fará o Homem que não terá esse trabalho para fazer. A Finlândia pode estar a dar um grande passo nesse sentido.

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