O gueto

Vivo na margem Sul. Somos servidos pela Fertagus e pela TST no que a viagens à capital diz respeito. Ao final de semana o último comboio sai de Lisboa às 23:43 e o último autocarro sai da Gare do Oriente às 0:30. Durante a semana  há ainda um  comboio uma hora mais tarde (0:43) e o último autocarro sai à mesma hora.

O Gueto não é uma designação minha. É do meu filho. Aos 22 anos desabafa que até toleram que trabalhemos ou estudemos na capital desde que à noite, não muito tarde voltemos para casa. A alternativa é comprar um carro, mas é uma alternativa pouco democrática e não ao alcance de todos.

Um jovem que viva depois de Coina, como o meu filho,   estude em Lisboa e não tenha carro não pode ir ao cinema na capital, à noite, com os amigos. Mas também não pode ir a um concerto ao CCB que acabe depois das 23:00h, a um teatro e a tanta outra coisa. Talvez a um jantar que comece às 19:00h, não seja longe da estação e não se prolongue muito.

Cidades como Barcelona, por exemplo, ao fim de semana aumento o horário dos transportes públicos em vez de os reduzir, como por cá. Isto disse-me também o meu filho. É o que dá deixá-los sair do gueto, percebem que nem todo o mundo é o fim do mundo!

Investir em transportes talvez fosse também investir em cultura ou pelo menos uma forma de a tornar acessível a todos os que não têm carro e vivem num gueto!

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