Uma padaria portuguesa, com certeza!

Ouvi  as declarações de um dos patrões da Padaria Portuguesa, Nuno Carvalho. Segundo este senhor, o que deveríamos estar a discutir não é o salário mínimo, e a descida da TSU, mas as leis laborais. Deveria ser mais fácil contratar e despedir e também pedir aos colaboradores que trabalhasse mais de 40 horas sem que isso fosse considerado trabalho extraordinário, que esse sai pela hora da morte aos patrões.

Estas declarações geraram polémica, mas Nuno Carvalho não seguiu essa polémica porque às 18:00 desligou os dados do telemóvel e não pensou mais no assunto. Assume que alguns dos seus colaboradores que com ele só podem trabalhar 40 horas, têm depois que ter outro emprego onde trabalham mais 20 ou 40. Segundo ele, se fosse possível prefeririam trabalhar 60 horas para ele.

Tomando por certo que tem razão, e que essas outras 20 horas seriam pagas ao preço das primeiras, uma vez que já pode pedir que trabalhem mais desde que lhes pague mais em trabalho extraordinário, os empregados receberiam um salário mínimo e meio, ou seja 557 x 1.5 = 835,5 Euros, para trabalhar 60 horas.

Se descansassem dois dias por semana, o que para este senhor deve ser um exagero, trabalhariam 12 horas por dia nos restantes 5. A maioria não poderia desligar os dados do telemóvel às 18:00h e ir descansar, mas isso é um luxo (ir descansar, não ter dados no telemóvel).

O que eu acho disto tudo? Acho que falamos de escravatura dissimulada no séc. XXI. Felizmente ganho mais que os 835,5 e sei que quem viva só com isso terá que fazer muitas contas para chegar ao fim do mês levando uma vida digna. Acho que a Padaria reconhece o valor dos seus colaboradores poderia com as leis que temos pagar as horas extraordinárias e evitar que tenham dois ou três empregos. Ou simplesmente pagar mais, mesmo que isso pusesse em causa a velocidade com que abrem novas lojas ou os milhões de lucro no final do ano.

Vivemos num país de pobres. Não só os desempregados. Pobres que no final de trabalharem 8 horas, por dia, continuam a trabalhar e trabalham 6 e 7 dias por semana para, ainda assim, continuarem a ser pobres! Outros ainda são-no de espírito e, mesmo que se passeiem em carros de alta cilindrada que trocam de dois em dois anos, continuarão sempre a ser pobres.

As Padarias continuam a multiplicar-se por este país. Parece que dão milhões de lucro aos seus patrões. Seria justo que pagassem decentemente aos colaboradores, em vez de lutarem por leis que permitam que os escravizem cada vez mais!

 

(*) fonte da imagem http://www.colonialpadaria.com.br/
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