Ricardo Araújo Pereira abordou esta semana, brilhantemente, como sempre, o tema dos estrangeirismos. também eu, sem a sua genialidade, ando para escrever sobre o tema há uns tempos. A verdade é que me ocorre o tema sempre que um amigo ou amiga escreve uma frase em inglês no Facebook antes de alguma coisa que partilha…
Reconheço que muitos desses amigos tenham entre os seus amigos pessoas de várias nacionalidades e que o inglês seja a língua com que mais facilmente comuniquem com todos eles. No entanto, por altura do Natal, fiquei surpreendido quando uma dessas amigas fez os seus votos de boas festas na língua de Shakespeare, em vez de utilizar a de Pessoa, e recebeu umas trinta respostas todas em português. Não sendo isto esquisito suficiente, reparei ainda que, entre as respostas, não havia uma única noutra língua que não a nossa!
Deste episódio só posso concluir uma de duas coisas: ou os contactos dessa pessoa que falam outras línguas não são tantos assim ou são todos uns mal educados!
Por outro lado, outros contactos que tenho nessa rede social, que vivem há anos fora de Portugal, continuam a escrever exclusivamente em português. Nesses casos, vejo partilhas de artigos de jornais escritos noutras línguas mas com introduções em português. Por vezes são vídeos, que não compreendo, mas devidamente resumidos em português para conseguir apanhar o essencial, como se o importante fosse contar isto em Portugal. E a maioria das vezes é!
Temos portanto gente que está fora mas quer continuar a falar com os que estão cá e outros que estando cá querem falar com outros que não estão!
Não tenho nada contra os que falam estrangeiro, eu próprio gostaria de o saber fazer…
Mas, por favor, falem estrangeiro no estrangeiro ou para estrangeiros, porque se a maioria dos leitores forem, como eu, portugueses, tenho a certeza que recebem melhor as mensagens na língua de Camões!
