Os bancos no Velho Oeste

Parece mentira, mas compreendi o que era um banco ao ver uma cowboyada! Bom, sabia o que era um banco, mas , ao ver uma série passada numa pequena aldeia do Velho Oeste, percebi algumas coisas sobre as quais nunca tinha pensado.

Naquela pequena aldeia, do Oeste selvagem, a maioria das pessoas trabalhava muito mas não tinha muito dinheiro. Tinham, no entanto, medo de perder o pouco que iam amealhando num ambiente muitas vezes violento. Um dia, a senhora mais rica da aldeia comprou um grande cofre e ofereceu os seus serviços para guardar as economias de toda a aldeia, passando uns papelinhos que garantiam que determinada pessoa lhe tinha entregue uma determinada quantia. Mas porque deveriam confiavar nela? Aquele papelinho valia dinheiro? Até quando?

Para ganhar essa confiança foi determinante a intervenção do sherife. Homem em quem todos confiavam, e que tinham elegido democraticamente, garantia que o dinheiro seria devolvido, a qualquer momento, se assim o desejassem, e que a senhora além de guardar economias dos outros tinha as suas próprias, que garantiam que poderia assumir as suas responsabilidade. Era muito mais fácil mostrar esse dinheiro todo ao sherif que a todos os habitantes da aldeia! De vez em quando, o sherif exigia ir espreitando para o cofre para ficar mais descansado e depois descansar toda a aldeia.

Quando o dinheiro começou a ser muito, a senhora passou a emprestar esse dinheiro a quem precisava, cobrando uma comissão por isso. Começou também a enviar parte do dinheiro para bancos maiores, noutras aldeias, para ela própria se sentir mais segura. 

Imaginemos agora que o amante da senhora, resolvia fazer o maior casarão da aldeia, mandado vir materiais muito caros de muito longe. Como não tinha dinheiro, utilizaria para isso o dinheiro do cofre da amante. A amante não exigia garantias, para além dos favores que lhe fazia na cama. Imaginemos que o amante se deixa enganar por um dos fornecedores de materiais e perde assim grande parte do dinheiro do cofre, não podendo construir o palácio dos seus sonhos nem pagar á amante.

Que parte da culpa é dele? Que parte da culpa é da amante? Que parte da culpa é do sherife? Que parte da culpa é da pobre gente da aldeia que ficou sem o seu dinheiro? 

Vem isto a propósito desta história, que acabo de ler. Maria suicidou-se no dia em que lhe iam tirar a casa. Não aguentou a vergonha de não poder pagar um compromisso. Não aguentou a humilhação de ser despejada. Se, com a venda da casa, a dívida não ficasse saldada, seria ainda devedora ao banco. Não aguentou! 

Portanto os bancos também matam, porque Maria não é caso único. Muitas outras Marias perderam a vida nos últimos anos porque os bancos, e os sherifes, são brandos com os amantes mas exigentes com os pobres. Todos os milhares de milhões que desapareceram existiram um dia. Há quem se suicide por uns milhares de euros de dívida, mas não por milhares de milhões. Esse continuam impunes porque, a maioria, tem apenas dinheiro, não honra! 

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