Mãe, só há uma!

Quer o exclamemos, ainda em criança, ao constatar que há apenas uma peça de fruta no cesto ou, anos mais tarde, ao constatar que há apenas uma cerveja no frigorífico, a verdade é  que a frase faz muito mais sentido sem virgula e na afirmativa.

Ouvi ontem notícias que os casais constituídos por duas mulheres vão poder contrariar a afirmação e gerar crianças que sejam filhas das duas, embora, por enquanto,  com a ajuda de um homem. Serão crianças com duas mães, que confirmarão que não há regra sem exceção.

Eu tive só uma, mas foi, como muitos dos que me lêem,  a melhor mãe do mundo.

Não é por teres partido há mais de 20 anos que te livras que te volte a dizer o quanto foste, e ainda és, importante para mim. As mães são sempre importantes para os filhos, principalmente aquelas que, como tu, apontam caminhos, ajudam nas caminhadas, sem nunca impor direções nem exigir nada em troca.

Lembro-me de nos zangarmos um dia, porque todos os que se amam também se zangam um dia. Não recordo porquê, mas sei que te gritei um castigo e quem conhece os que ama sabe como os castigar, disse-te, nesse dia, que teria muitos filhos e que não te os deixaria ver. Tu respondeste que espreitarias pela fechadura e eu disse que a encheria de papéis para que não o pudesses fazer. Sei que não levaste a mal, que achaste piada ao zé ninguém que batia onde mais te poderia doer. Mas hoje quero pedir-te desculpa por isso e dizer-te quanto teria gostado que os tivesses visto. Que tivesses andando mais vezes com eles ao colo e, sobretudo, que eles te tivessem conhecido a ti.

Partiste cedo demais e deixaste em nós um vazio difícil de preencher. Quero que saibas que não foi por partires há tanto tempo que deixei ou deixarei de te amar. Quero que saibas que te deveria ter dado muitos mais beijos. Quero que saibas que ainda é a ti que pergunto o que fazer, a ti que nunca me impuseste nada! Quero que saibas que foste uma grande mulher e que “A morte é a curva da estrada, Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada, Existir como eu existo”.

Feliz dia da mãe, Josefina do meu coração.

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