Hoje que se vota em França, entre um mal e o um mal pior, vêm-me à memória franceses ilustres que não nasceram em frança mas que ajudaram a fizer da frança um grande país de artistas.
Não falo do belga, Jaques Brel, que é talvez o expoente máximo da canção naquela língua, mas lembro-me do arménio, Charles Aznavour, que nasceu Shahnour Vaghinagh Aznavourian, e que criou centenas de poemas incluindo um que retrata como foi difícil ter sucesso. Falo também do egípcio Giuseppe Mustacchi que se tornou George Moustaki e que cantou tão bem a sua liberdade, mas também a nossa! Ou ainda a egípcia Iolanda Cristina Gigliotti, que todos conhecemos como Dalida e que, sem nunca esconder, ou perder, o seu sotaque cantou e encantou com as suas “Paroles, paroles”
O preferido da minha mãe também não era francês. Gaston Ghrenassia, que todos conhecemos como Enrico Macias, cantava a beleza das raparigas do seu país. Também o bem mais conhecido por cá, Joe Dassin, nasceu na América e foi antes disso Joseph Ira Dassin, embora continuasse a cantar “L´Amérique” . Guy Béhart, que cantava “Vive la rose“, nasceu egípcio e mudou pouco o nome ficando Guy Béart. Salvatore Adamo, não mudou nada no nome e não disfarçou nunca as suas origens italianas embora cantasse o seu “Tombe la neige” em francês. Também Serge Reggiani guardou o seu nome italiano e como gosto de o ouvir cantar “L’Italien“.
Também Milan Kundera, que escreveu a maravilhosa “Insustentável leveza do ser” se refugiou em frança, numa altura em que muitos portugueses fizeram o mesmo. E, se por um lado, a França deu oportunidades de vida melhor e de sucesso a toda esta gente, retribuíram criando poemas ou prosa e interpretando como ninguém obras que enriquecem culturalmente a França e os franceses.
E, já agora, uma mensagem de dois igualmente talentosos franceses um pouco mais novos.
