Sobretudo o amor.

Graças às tecnologias, até o meu banco se lembra de mim. Acabo de receber um cartão de parabéns  que diz que “Hoje, como sempre, lembramo-nos de si.”. Tenho quase a certeza que os únicos humanos por quem esta mensagem passou foram os criativos que a escreveram, há alguns anos, e os informáticos que programaram um script, numa linguagem qualquer, que todos os dias consulta a base de dados e lança os parabéns aos aniversariantes.

As lojas onde compro  a minha roupa também não se esquecem que faço anos. Oferecem-me descontos,  não acumuláveis,  que tenho que usar até dia 30 deste mês. Enviam e-mails, ou sms que tenho que mostrar, como se não soubessem que é verdade que, como toda a gente, faço anos uma vez por ano.

São os algoritmos que nos fazem sentir vivos, que nos recordam que alguém se recorda de nós, embora saibamos que pouca gente se lembra que existimos.  Provavelmente, ninguém percebeu que um computador enviou mais umas centenas de mensagens, hoje,  a não ser nós próprios que as recebemos… claro!

Um dia os computadores farão por nós todas estas tarefas aborrecidas, como as de dar os parabéns aos amigos ou responder a todos.

Também consulto todos os dias a lista de aniversariantes no Facebook. Todos os dias um ou vários amigos fazem anos. Dou graças à tecnologia que me permite não esquecer que fazem anos, como me permite não esquecer compromissos que assumo e registo numa agenda digital.

Um dia os algoritmos farão tudo por nós e não precisaremos de consultar a lista dos aniversariantes no Facebook, porque o Facebook permitirá configurar a mensagem a enviar a todos os que fazem anos nesse dia.

Por enquanto, fazemos um pouco mais que o nosso banco.  Escrevemos algumas palavras, enviamos um abraço. As tecnologias lembram-nos que devemos enviar uma mensagem, mas, por enquanto, não a enviam por nós.

Gosto de imaginar um mundo onde a tecnologia não faça tudo por nós, sobretudo o amor!

 

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2 pensamentos sobre “Sobretudo o amor.

  1. Sabemos que “o mundo pula e avança” ao gosto e movimento daquela espécie de “nuvem” que tudo vai controlando….
    Sabemos que quase tudo começa a ter um leve sabor a plástico…
    Sabemos que, até para o amor físico, já há bonecas sexuais hiper-realistas robotizadas em que o “companheiro(a)” pode escolher a personalidade que deseja para aquele momento…
    Ou seja, até uma parte do amor já pode ser de plástico…mas temos que acreditar que há uma parte que nunca vai ser contaminada e que é genuinamente humana!
    Eu preciso de acreditar nisso!
    Entretanto, parabéns pelo aniversário!

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