Não, não havia corrupção!

Vi mais que uma pessoa defender, no Facebook, por estes dias,  que antigamente, no tempo da ditadura, é que era bom porque não havia corrupção.

Por muito que me custe, tenho que concordar com quem assim escreveu!

Nesse tempo, a classe política e os seus amigos eram reis e senhores. O povo servia-os por muito pouco,  quem não concordasse era preso, torturado e finalmente desterrado. Ao domingo, depois da missa, ajudavam os pobrezinhos, os bem comportados, que não faziam perguntas, apenas estendiam a mão.

Não havia corrupção porque não era preciso.  Hoje há porque precisam de enganar o povo, naquele tempo não havia essa necessidade. O povo não era chamado a intervir, não importava o que o povo pensava, a maioria nem sabia ler, nem votava, coitadinho. O povo estava grato pela esmola que lhe davam quer fosse ao domingo ou em troco da jornada de trabalho, de sol a sol.

O povo servia a classe dominante que controlava o que o povo fazia, o que o povo ouvia e o que o povo dizia.

Para quê corromper alguém, se tudo podia ser feito às claras! Para ganhar um concurso e ficar com a obra? Não, a obra ficava para o amigo, e todos sabiam.

Corrupção, nessa altura, para quê? Não era precisa!

Não, não havia corrupção.

Havia outras coisas!

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6 pensamentos sobre “Não, não havia corrupção!

  1. Havia corrupção, havia, caro amigo João. Como lembra o blogue «O jumento», «desde o mais pequeno balcão do Estado até ao ministro, a regra era a da corrupção, nada no Estado funcionava sem se pagar por fora. Desde as Alfândegas à Inspeção Económica, tudo era oleado com dinheiro.» Por outro lado, havia o sistema de «apadrinhamento». Certas oportunidades eram reservadas para os «filhos de algo», ou para quem tivesse «padrinhos» influentes. E disso tudo me lembro eu, embora ainda fosse um jovenzinho, quando aconteceu o 25 de Abril.
    O artigo d’O jumento pode ser lido aqui: jumento.blogspot.pt/2018/04/o-regime-corrupto.html
    Um abraço.

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    1. Obrigado, Carlos Silva. Eu acredito. O meu ponto é que, mesmo havendo, esse era o menor dos problemas e, como diz “Certas oportunidades eram reservadas para os «filhos de algo», ou para quem tivesse «padrinhos» influentes” a corrupção era feita às claras, até poderia ter outro nome…. Obrigado pelo seu comentário.

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  2. Quem diz isso ou é novo ou não tem memória. Eu era uma criança mas lembro-me.
    Seja o que fosse ganhava velocidade com um envelope ou uma nota.
    Até as multas se “pagavam” na hora ao policia. Uma nota dada junto com os documentos e íamos em paz.
    É certo que era tudo feito ás claras porque era por todo o lado os pagamentos.
    Mas corrupção ás claras não deixa de ser corrupção.

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    1. Olá Luís. Penso que não fiz passar a mensagem que queria. Nem sempre é fácil. O meu ponto é que, esmo que não houvesse corrupção, por lhe chamarem outra coisa qualquer ou ser feita às claras, havia outras coisas bem piores. Mas sim, concordo que também havia corrupção… Obrigado pelo comentário

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      1. O prazer é meu João. De facto és claro a dizer que havias coisas piores.

        A minha intenção, tal como a tua, era não deixar passar comentários como o que viste, do tipo “Dantes é que era bom”.
        Não, não era. A menos que o teu apelido seja Champalimaud ou Espirito Santo.

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