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Quase a chegar aos 50

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Estou quase a chegar aos 50. Se isto fosse uma velocidade, talvez nem fosse muito. Um carro, quase ao chegar aos 50 km/h, ainda anda devagar! Tudo é relativo. Mas não é de uma velocidade que quero falar, são anos. Estou quase a fazer 50 anos e, provavelmente, isto é a última coisa que escrevo ainda com 49.

Meio século! Lembro-me dos meus pais quando eles também teriam 50. Eram velhos e é um milagre que eu, com a mesma idade, ainda não o seja! A minha mãe faleceu com 57 anos, quando eu já era pai, mas tinha ainda menos de 30. Terrivelmente nova para partir. Quando nasci, tinha ela 31. Sempre me disseram que era magra, antes dos 30, mas lembro-me dela bastante forte, como eu o sou agora. As imagens que guardo da minha mãe devem corresponder ao tempo em que ela teria entre 40 a 57 anos. Lembro-me de uma mulher alta, forte e com uma cabeleira farta, com muitos cabelos brancos, que penteava para trás.

Curiosamente, como ela, também eu engordei, depois dos 30. Um pouco por preguiça deixei crescer o cabelo mais do que o costume, nos últimos meses, que, como o dela, também tem muitos cabelos brancos. Nos últimos tempos, é ela que vejo no espelho quando, de manhã, me penteio. Engordei, como ela, e juntei aos castanhos alguns cabelos brancos que formam ligeiros caracóis, como os dela.

Para mim é um orgulho parecer-me contigo. A chegar aos 50, lembro-me de ti. Sei que partiste cedo demais, mas continuas por cá e a prova é que, quase ao chegar aos 50, são para ti as últimas linhas que escrevo, embora tenhas partido, fisicamente, há muito. Estar vivo não é apenas andar por cá, é também, e sobretudo, sermos recordado pelo que fomos, pelo que fizemos.

Quase a chegar aos 50 sei que nunca serei como tu. Não sofri o que tu sofreste, não passei pelo que passaste, não seria capaz de lutar como tu lutaste. Foste uma grande mulher que nunca esquecerei e, mesmo com cabelo curto, mesmo depois dos 50, continuarei a ver-te no espelho, todas as manhãs.

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