Uma encantadora senhora

Íamos direitos ao castelo decididos a fazer uma caminhada, em Penha Garcia. Depois de umas fotos no tanque de guerra, que com os cravos e figuras humanas fazem uma composição escultórica muito interessantes, e de passar no posto de turismo, subíamos as encostas da aldeia até que, ao lado do forno comunitário, reparamos numa pequena loja de antiguidades. Entramos.

A loja estava repleta de louça antiga que apetecia trazer para casa e que eu ia observando enquanto a dona da loja começava a falar de bordados com a Isabel.

As colchas e as toalhas iam sendo desdobradas, cada uma mais bonita que a outra.

  • É a Senhora que as borda?
  • Não, são coisas de casas antigas aqui da zona, não de Penha Garcia porque aqui é terra de gente pobre, não havia casas com coisas destas!

Esta é de bainha aberta e toda feita à mão! Repare na qualidade deste linho! Isto tem que ser linha nº 20 ou ainda mais fina… A dona, no alto dos seus setenta e alguns anos, ajudada por um casal amigo, de visita à loja, e pela Isabel, ia desdobrando cada vez mais peças, enquanto eu ia virando os pratos para tentar descobrir algum de porcelana de Limoges.

No final foi-nos contando como também tinha um livro de culinária editado pela Câmara Municipal que poderíamos comprar no posto de turismo.

É uma loja cheia de coisas que apetece trazer para casa, mas a verdadeira peça de inestimável valor é a própria dona.

Compramos-lhe uma jarra/caneca antiga que penso usar como decantador de vinho. Pedimos para a levantar quando voltássemos da caminhada, mas a senhora não tinha a certeza de já ter regressado de um almoço em casa de uma amiga. Assim, para não a partir na caminhada, fomos ainda levá-la ao carro. Na volta passamos pelo posto de turismo para ver o livro de receitas e, sem o abrir, já sabia que o queria. Na capa o sorriso da senhora e o seu nome: Josefina, o mesmo da minha mãe!

Compramos o livro e fomos a correr para ainda podermos pedir um autógrafo. Já tinha saído, mas ia um pouco mais à frente a caminho do seu almoço! Estendi-lhe o livro, disse-nos que a acompanhássemos que o assinaria na mesa do almoço, em casa da amiga. Fomos e, depois de o assinar, insistiu para que cada um de nós comesse uma empada, das entradas do almoço, que seria a dela que nunca a comia e a da amiga que também a dispensava para nós. Estavam óptimas!

Venho deste encontro com a Dona Josefina de coração cheio. Já esta noite usarei o decantador e tenho a certeza que em ocasiões especiais, cada vez que o encher com uma garrafa de vinho para ,beber com amigos voltarei a lembrar o sorriso meigo e bonito da D. Josefina e o dia em que visitamos Penha Garcia.

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