Não sei bem em que ano foi, mas lembro-me que era criança. Tinha menos de 10 anos certamente e naquele ano a festa de Santo Ambrósio seria uma festa diferente. Roberto Leal iria abrilhantar a festa que acontece todos os anos no santuário do Santo Ambrósio, bem perto da sua aldeia natal, Vale da Porca, perto de Macedo de Cavaleiros.
Deve ter sido o primeiro grande concerto a que assisti. Lembro-me que compramos um disco e ao fim do dia trauteávamos as canções do Roberto.
Muito mais tarde, lembro-me de, numa visita a Sintra, passar de carro e o ver a tentar entrar na estrada vindo de uma propriedade. Conheci-o e acenei, lembro-me que respondeu ao meu aceno e que eu sorri.
No domingo, dia 15 de setembro, soubemos que partiu longe de Vale da Porca, no país que o acolheu, aos 11 anos, e que foi a sua segunda pátria.
Goste-se ou não da sua música, Roberto Leal foi um português genuíno, um transmontano que levou o seu país para o lado de lá do Atlantico. Penso que, como qualquer emigrante a determinada altura deixou de ser português para ser brasileiro onde sempre continuou a ser o português que cantava.
Partiu, mas muitos, como eu, o lembrarão cada vez que passearem no Santo Ambrósio e recordarem os tempos de menino quando o ouviram cantar para uma multidão naquele local.
Descansa em paz!