O passeio noturno

Eram uns 25 e combinaram fazer um passeio noturno na Arrábida, numa noite de verão. Combinaram que cada um levava uma lanterna para poderem ver o caminho. Um grupo de 5 ficou responsável pela logística do passeio.

Perguntaram ao grupo da organização se levar lanterna era obrigatório. Responderam que não, não se podia obrigar ninguém a levar lanterna, traria quem o quisesse fazer.

Hipótese A
Chegou o dia e todos trouxeram a lanterna, excepto o Jeremias, mas realizaram o passeio da mesma forma. Ninguém deu por nada, o Jeremias caminhou ao lado da Etelvina e do Anacleto e houve luz suficiente para todos se sentirem seguros. O Jeremias gabava-se que não era um carneiro para fazer o que a organização lhe pedira. Além disso, ninguém o podia obrigar a levar lanterna!

Hipótese B
Quase todos trouxeram a lanterna. Apenas 5 dos 20 não trouxeram. Não foi esquecimento tinham lido na página do facebook do Jeremias que queriam que levassem lanterna para os poderem seguir na Arrábida e que, se levassem a lanterna, poderiam ser atingidos mais facilmente pelas ondas 5G que andam a espalhar pela serra. Além disso, disseram que iriam os 5 atrás de toda a gente e que, assim, não prejudicariam ninguém por não terem trazido lanterna. A organização achou que não seria justo e sugeriu que se misturassem com os outros, por uma questão de segurança. No entanto, o Jeremias torceu um pé, por não ver um buraco, e foi preciso acabar o passeio mais cedo para o ser levado ao hospital. Fez o percurso de volta ajudado por 3 colegas, e enquanto o levavam gritava que a culpa não foi dele e que poderia ter torcido um pé, mesmo que tivesse levado lanterna. Dizia que de certeza que falariam do caso na comunicação social, mas que abafariam todos os outros de pessoas que naquele dia torceram o pé, mesmo caminhando com uma lanterna. Explicaram-lhe que a lanterna não pode garantir que alguém se magoe, apenas reduz muito essa probabilidade.

Hipótese C
Dos 25, apenas 5 que pertenciam à organização levaram lanterna. Todos os outros criaram um grupo Whatsapp onde passaram a semana a trocar informação sobre os malefícios da lanterna. Os 5 elementos da organização resolveram cancelar a caminhada. No entanto, os outros 20 disseram que iriam de qualquer forma. Não ter lanterna seria muito mais prudente, até porque havia luar naquele dia e assim ninguém os seguiria. Foram alertados para o facto de ser perigoso caminhar na Arrábida, de noite, sem luz. Insistiram dizendo que ninguém os podia impedir, até porque a constituição lhes dava o direito de caminhar sem luz, quando e onde quisessem.

Infelizmente, 8 dos elementos do grupo acabaram por cair numa falésia. Foi preciso acionar meios de resgate para os salvar que, sem luz, não os conseguia encontrar. Não houve mortes, mas ocuparam 5 camas nos cuidados intensivos do hospital nos dias que se seguiram ao passeio. Ao contrario do que pensavam, caminhar se uma lanterna não os colocou apenas a eles em risco, mas também aos que os tentaram salvar e a todos os que poderiam precisar das camas no hospital que eles ocuparam porque pensaram ter o direito de caminhar sem levar uma lanterna e que isso era um assunto que apenas os afetaria a eles!

Não seja como o Jeremias!

Vacina-te.

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