O Blogue que ninguém lê

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agosto - 1


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Agosto

Cada vez que entra Agosto
vejo caras alegres que riem,
com gosto.

Mas no final d’ Agosto
os mesmos que riram,
com gosto,
franzem  a testa
como no final de uma festa
de onde saem sem gosto

E chego mesmo a notar
num ou noutro olhar
melancolia e tristeza
por deixarem para traz
o  mês da praia e do Sol
e dos corpos  cheios de beleza

mertola - 1 (1)


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Há um cabo…

Algures no Algarve  há um cabo que une as duas margens de um rio, duas aldeias, dois países. É possível (pela módica quantia de 18 Euros) escorregar de Espanha para Portugal em menos de um minuto, em total segurança e desfrutando de uma vista fantástica. Este deve ter sido o sonho de muitos dos contrabandistas que atravessaram o rio às escondidas no passado.

As aldeias chamam-se Sanlúcar de Guadiana e Alcoutim. Os bilhetes podem ser reservados aqui: http://www.limitezero.com/pt/ e incluem a passagem de barco para a outra margem. Os menos aventureiros podem ficar pelas vistas e pelas travessias de barco, a 1 euro cada viagem.

Uma experiência diferente de uma ida à praia, num dia de verão…

Não tenham medo, até eu consegui!

 

 

munique - 1 (3)


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As tabernas

Estive este verão em Munique e uma das coisas de que mais gostei na Alemanha foram as tabernas! Espaços amplos e ruidosos, ao contrário da maioria dos outros locais na Alemanha, mesas grandes muitas vezes simulando uma tábua colocada sobre dois  barris de cerveja. Os empregados vestem-se a rigor com fatos típicos, mesmo que algumas das senhoras já não tenham mamas para encher o decote. Sentámo-nos ao lado de desconhecidos, como se de companheiros de viagem se tratasse, mandamos vir litros de cerveja e pratos tradicionais e o tempo parece ter parado há pelo menos um século.

O ambiente antigo da taberna contrasta com o modernismo que encontramos na sede de BMW mas não se anulam nem competem entre si. O alemão que vemos nas ruas veste o fato e gravata durante a semana mas é com orgulho que veste os calções de couro, que herdou do avó, e vem passear para o centro da cidade, orgulhoso, ao domingo.

Sentimos, em Munique,  um orgulho no passado de mãos dadas com o futuro. Tenho pena que em Portugal as tabernas tenham desaparecido, levando com elas o vinho a copo, até porque a modernidade que vi na sede da BMW também teima em não aparecer!

 

 

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Dachau

Há lugares que toda a gente deveria visitar, pelo menos uma vez na vida. São lugares onde, na minha opinião, os pais deveriam levar os filhos, não por se tratar de lugares bonitos, antes pelo contrário, mas apenas para que se reflita até onde pode descer o ser humano, para que os erros do passado não voltem a acontecer.

Não levei o meu filho a Dachau, foi antes ele que me levou a mim e à irmã.

Dachau,  nos arredores de Munique, foi o primeiro dos campos de concentração nazis e, mesmo não sendo um campo de extermínio, mesmo que nos digam que não há prova de que a câmara de gás tenha sido utilizada, foram cometidos horrores naquele espaço e, mais de 60 anos depois, ainda se sente um ambiente pesado quando o visitamos.

É impossível estar nas salas contíguas ao crematório e não as imaginar  cheias de cadáveres empilhados, como tantas vezes estiveram. É impossível visitar a reconstituição das  camaratas e não imaginar os milhares de pessoas que ali padeceram.

Toda a gente deveria visitar, um dia, um antigo campo de concentração para que nunca mais fosse possível existirem lugares como esses!

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ateja - 1


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Foi em abril

Foi em abril que te levei para apanhares aquele avião. Foi em abril, mas é  hoje, o dia em que, se tudo correr bem, te voltarei a abraçar, que mais saudades tenho de ti.

Sei que tens estado bem. Tens seguido o teu caminho e sei que dificilmente voltará a ser junto a mim. Sei que me habituarei a ver-te apenas uma vez ou duas por ano, mas hoje apetece-me dizer-te que sinto a tua falta. E mesmo que te veja  algumas vezes num ecrã, sinto falta do teu abraço, porque um transmontano também sente falta dos abraços do pai, dos amigos e dos filhos.

Até já!

aveiro - 1


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Uma história de amor (2)

Em 1918, uma senhora da alta sociedade lisboeta, casada, com um filho de 26 anos, apaixona-se pelo seu motorista. Parece o argumento de um filme, e é, mas já lá vamos!

Chamava-se Maria Adelaide Coelho da Cunha e era filha de um dos fundadores do jornal Diário de Notícias e estava casada com Alfredo da Cunha que viria a ser dono do jornal.

Aos 48 anos apaixonou-se por Manuel Cardoso Claro, seu motorista, 20 anos mais novo que ela. Um dia fugiram do palácio em que viviam e foram viver para Santa Comba Dão, deixando para trás um casamento de 28 anos e, pior ainda, um marido poderoso traído!

Demoraram apenas 11 dias a descobrir o esconderijo do casal. Ela foi internada no Hospital Conde Ferreira, no Porto. Ele foi preso. Atestaram a sua loucura Júlio de Matos, o Professor Sobral Cid e  o Professor Egas Moniz, futuro prémio Nobel. E como não poderia estar doida, se deixava tudo, em Portugal, em 1918, para ir viver uma história de amor? Nunca o admitiria, no entanto, e escreveu um livro de título «Doida não!»  em resposta ao do marido «Infelizmente louca!» .

Esteve internada alguns meses e o amante preso durante 4 anos, sem que o acusassem de nada. Renunciou a toda a sua riqueza e viveu, sem nunca se casar, com o homem que amava, no Porto, que passou a ser taxista para se sustentarem.

Sobre esta história de amor já se fez um filme, que ainda não vi, realizado por Monique Rutler, em 1992: “Solo de Violino” e já se escreveu um livro, que ainda não li,  “Doida não e não! Maria Adelaide Coelho da Cunha” de  Manuela Gonzaga.

Doida não, também eu acredito!

Ousou apenas amar, contra tudo e contra todos. Amou, pagando um alto preço por isso, mas ganhou certamente outras coisas e todo  o meu respeito, porque penso que devemos respeitar quem ousa amar desata maneira!

 

Fontes:
http://www.saude-mental.net/pdf/vol11_rev3_leituras.pdf
http://leiturasdasmarias.blogspot.pt/2009/03/doida-nao-e-nao-maria-adelaide-coelho.html

 

 

helena


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A amiga Helena

Nem todos têm uma amiga Helena,
Temos pena!

Conheci a Helena há 4 anos, em setembro de 2013.  Assumi, nessa altura,  novas funções, a nível profissional,   que implicaram algumas adaptações da minha parte e a Helena teve um papel fundamental na minha adaptação. Sentia-me um pouco inseguro e não conheço ninguém melhor para nos transmitir segurança que a Helena! Pragmática, tem sempre uma solução para os problemas. Com ela tudo se faz e a verdade é que se faz mesmo. Acompanhou-me em formações, um pouco por todo o país, e foi graças a ela que muitas dessas formações correram tão bem. Desde então, temos colaborado, trabalhado imenso em diversos projetos juntos e, para mim, tem sido uma aprendizagem e um prazer constantes.

Hoje faz anos. Não tenho ainda a certeza se poderei  dar-lhe um abraço presencialmente, mas sei que sou um sortudo por ter uma amiga como a Helena e tenho a certeza que o mundo seria um lugar melhor se houvesse mais gente como ela.

A amiga Helena entrou tarde na minha vida, mas sinto, e espero, que fique nela para sempre porque toda a gente deveria ter uma amiga como a Helena!

Obrigado Helena, por seres exactamente como és!

 

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